sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Unirio abre o primeiro Mestrado em Ecoturismo e Conservação do país

O visitação de unidades de conservação ganhou um reforço da Academia. A Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) conseguiu, no final do ano passado, a aprovação da Capes para lançar o primeiro curso de Mestrado em Ecoturismo com foco em áreas protegidas do país. A Universidade também inaugurará, dentro de seu campi na Urca, um Centro de Pesquisas em Turismo e Conservação (CPEC).
A Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro (Faperj) é responsável pelo financiamento do Centro de Pesquisas. Parte dos R$ 185 mil aprovados será utilizado para a reforma e adequação de um antigo galpão de obras a ser transformado em escritórios e laboratórios. O dinheiro também será utilizado para o custeio de aulas de campo dos alunos de pós-graduação, na formação do primeiro grupo de pesquisas do Centro e para ser usado em um convênio internacional de cooperação técnica e científica entre a Unirio e a Universidade da Sunshine Coast, na Austrália, para intercâmbio de alunos, professores e de conhecimento que permitirão somar as experiências dos dois países.
“O objetivo é que esse Centro de Pesquisas seja um local onde as pessoas possam se encontrar, formar redes de colaboração, discutir ideias, aprofundar discussões e propor soluções para os desafios relativos à sustentabilidade das áreas protegidas, das culturas tradicionais e do ecoturismo”, afirma a profa. Dra Laura Sinay, do Departamento de Ciências do Ambiente do IBIO/UNIRIO, idealizadora e coordenadora do curso e do CPEC.
Em entrevista a ((o))eco, a Dra. Sinay afirma que o curso vem suprir uma carência detectada há muito tempo: a má formação de técnicos que trabalham em áreas protegidas.
“Para cada professor esse curso surgiu de uma maneira diferente. Pra mim, a necessidade desse curso surgiu há pelo menos 15 anos, quando comecei a fazer meu trabalho de campo na Reserva Ecológica de Juatinga. Lá, eu percebi que os técnicos que cuidavam da unidade na época não tinham o conhecimento necessário para fazer uma boa gestão. Então a gente se via o tempo todo em discussões, que, a meu ver, poderiam ser muito melhor aproveitadas se esses técnicos tivessem uma melhor formação para o tipo de trabalho que eles estavam desenvolvendo. Desde então que venho tentando chamar a atenção pra necessidade desse mestrado”, afirma.
Segundo a especialista, é preciso criar uma estratégia para conter os impactos negativos -- como acúmulo de lixo, desmatamento e vandalização --, que o ecoturismo provoca em áreas protegidas mal administradas e ampliar os impactos positivos que a atividade proporciona, como o aumento da conscientização ambiental e do contato com a natureza. E essa estratégia só será possível com uma melhor formação do corpo técnico que cuida das áreas naturais e das áreas tradicionalmente habitadas.
“Quanto mais qualificados estiverem os técnicos, melhor será a gestão da área. Mais capacitados eles estarão para fazer bom uso dos poucos recursos que a gente tem”, afirma a Dra. Sinay.
Primeira turma
Apesar da aprovação do Mestrado pelo Capes em novembro, o edital para o processo seletivo da primeira turma ainda não foi publicado, devido ao recesso acadêmico no fim do ano.
O Mestrado Profissional em Ecoturismo e Conservação fará parte do Departamento de Ciências do Ambiente do Instituto de Biociências (IBIO/UNIRIO). A coordenação será da Dra. Sinay que contará, a princípio, com uma equipe com 17 professores que darão aula no curso. O curso é multidisciplinar.
O processo seletivo exigirá dos candidatos a apresentação de um pré-projeto e a realização de provas de proficiência em línguas estrangeiras, de conhecimentos específicos (provas escrita e oral) e uma prova de currículo. Poderão participar do processo seletivo candidatos que tenham concluído a graduação, em qualquer área.

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