sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

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JORNAL DO MEIO AMBIENTE


 

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Unirio abre o primeiro Mestrado em Ecoturismo e Conservação do país

O visitação de unidades de conservação ganhou um reforço da Academia. A Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) conseguiu, no final do ano passado, a aprovação da Capes para lançar o primeiro curso de Mestrado em Ecoturismo com foco em áreas protegidas do país. A Universidade também inaugurará, dentro de seu campi na Urca, um Centro de Pesquisas em Turismo e Conservação (CPEC).
A Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro (Faperj) é responsável pelo financiamento do Centro de Pesquisas. Parte dos R$ 185 mil aprovados será utilizado para a reforma e adequação de um antigo galpão de obras a ser transformado em escritórios e laboratórios. O dinheiro também será utilizado para o custeio de aulas de campo dos alunos de pós-graduação, na formação do primeiro grupo de pesquisas do Centro e para ser usado em um convênio internacional de cooperação técnica e científica entre a Unirio e a Universidade da Sunshine Coast, na Austrália, para intercâmbio de alunos, professores e de conhecimento que permitirão somar as experiências dos dois países.
“O objetivo é que esse Centro de Pesquisas seja um local onde as pessoas possam se encontrar, formar redes de colaboração, discutir ideias, aprofundar discussões e propor soluções para os desafios relativos à sustentabilidade das áreas protegidas, das culturas tradicionais e do ecoturismo”, afirma a profa. Dra Laura Sinay, do Departamento de Ciências do Ambiente do IBIO/UNIRIO, idealizadora e coordenadora do curso e do CPEC.
Em entrevista a ((o))eco, a Dra. Sinay afirma que o curso vem suprir uma carência detectada há muito tempo: a má formação de técnicos que trabalham em áreas protegidas.
“Para cada professor esse curso surgiu de uma maneira diferente. Pra mim, a necessidade desse curso surgiu há pelo menos 15 anos, quando comecei a fazer meu trabalho de campo na Reserva Ecológica de Juatinga. Lá, eu percebi que os técnicos que cuidavam da unidade na época não tinham o conhecimento necessário para fazer uma boa gestão. Então a gente se via o tempo todo em discussões, que, a meu ver, poderiam ser muito melhor aproveitadas se esses técnicos tivessem uma melhor formação para o tipo de trabalho que eles estavam desenvolvendo. Desde então que venho tentando chamar a atenção pra necessidade desse mestrado”, afirma.
Segundo a especialista, é preciso criar uma estratégia para conter os impactos negativos -- como acúmulo de lixo, desmatamento e vandalização --, que o ecoturismo provoca em áreas protegidas mal administradas e ampliar os impactos positivos que a atividade proporciona, como o aumento da conscientização ambiental e do contato com a natureza. E essa estratégia só será possível com uma melhor formação do corpo técnico que cuida das áreas naturais e das áreas tradicionalmente habitadas.
“Quanto mais qualificados estiverem os técnicos, melhor será a gestão da área. Mais capacitados eles estarão para fazer bom uso dos poucos recursos que a gente tem”, afirma a Dra. Sinay.
Primeira turma
Apesar da aprovação do Mestrado pelo Capes em novembro, o edital para o processo seletivo da primeira turma ainda não foi publicado, devido ao recesso acadêmico no fim do ano.
O Mestrado Profissional em Ecoturismo e Conservação fará parte do Departamento de Ciências do Ambiente do Instituto de Biociências (IBIO/UNIRIO). A coordenação será da Dra. Sinay que contará, a princípio, com uma equipe com 17 professores que darão aula no curso. O curso é multidisciplinar.
O processo seletivo exigirá dos candidatos a apresentação de um pré-projeto e a realização de provas de proficiência em línguas estrangeiras, de conhecimentos específicos (provas escrita e oral) e uma prova de currículo. Poderão participar do processo seletivo candidatos que tenham concluído a graduação, em qualquer área.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Barragem da Samarco tem novo vazamento e empresa evacua o local

Um vazamento de lama na manhã desta quarta-feira (27), na barragem de Fundão, em Mariana, fez com que a mineradora Samarco retirasse seus trabalhadores do local. Segundo a empresa, não houve necessidade de disparar a sirene.
A Defesa Civil dos municípios de Mariana e Barra Longa foram avisadas. De acordo com a mineradora, houve “uma movimentação de parte da massa residual da Barragem de Fundão devido as chuvas das últimas semanas”.
Há 83 dias, essa mesma barragem se rompeu, matando 17 pessoas e destruindo toda a fauna do rio doce e tributários. Dessa vez, não houve vítimas humanas.
Leia a íntegra da nota da Samarco:
A Samarco informa que ocorreu, na tarde de hoje, 27 de janeiro, uma movimentação de parte da massa residual da Barragem de Fundão devido as chuvas das últimas semanas.
De forma preventiva e seguindo seu Plano de Emergência, os empregados, que atuam próximo à área afetada, foram orientados a deixar o local.
Não houve a necessidade de acionamento de sirene por parte da empresa. As defesas civis de Mariana e Barra Longa foram devidamente informadas.
Ressaltamos que o volume deslocado permanece entre a barragem de Fundão e Santarém, dentro das áreas da Samarco.  A Samarco reafirma que as estruturas das barragens de Germano e Santarém permanecem estáveis com base no continuo monitoramento.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Ambientalistas protestam contra revogação de regras sobre restauração florestal

Organizações ambientalistas enviaram carta aberta ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), em protesto contra a revogação das regras para a regularização ambiental no estado. Segundo os ambientalistas, a revogação das normas pode comprometer a recuperação das florestas de São Paulo.
No dia 12 de janeiro, a Secretaria de Meio Ambiente publicou a resolução SMA nº4, que detalhava as regras do Programa de Regularização Ambiental (PRA), criado no dia anterior (11) pelo governador. Após receber críticas dos ruralistas, a secretaria voltou atrás e revogou a norma.
O documento explicitava as ações que os proprietários rurais que desmataram ilegalmente deveriam fazer para regularizar a situação junto ao órgão ambiental. O Código Florestal determina que cada proprietário rural precisa preservar uma parte de suas terras. Essa parte preservada fica sendo a reserva legal. Quem desmatou essa parte fica em débito com o órgão ambiental e precisa reflorestar na própria terra ou em outra área. Os ruralistas lutam para poder compensar o desmatamento fora do estado de São Paulo. A Secretaria pensou num meio termo e permitiu a compensação fora dos domínios paulistas, desde que numa bacia hidrográfica que atendesse o estado. Mesmo assim, a resolução não foi bem aceita e o governo, pressionado, voltou atrás.
A resolução derrubada está sendo revista, agora com a participação da Secretaria de Agricultura. Os ambientalistas também resolveram pressionar o governo e garantir que pontos importantes para a manutenção das florestas de São Paulo não se percam.
"Ignorar a importância de conservar e recuperar a vegetação nativa para produção de água no Estado é condenar mais de 20 milhões de pessoas à incerteza quanto à disponibilidade de água potável. Deixar a Reserva Legal sair do Estado sem considerar a necessidade de aumentar a infraestrutura verde para produção de água e abdicar da oportunidade de desenvolver a economia da restauração florestal é impensável", afirma Aurelio Padovezi, gerente de programas de florestas e água do WRI Brasil e Vice-Coordenador do Pacto pela Restauração da Mata Atlântica.
Na carta, assinada pelo Imaflora, Instituto Ekos Brasil, Iniciativa Verde, SOS Mata Atlântica, WRI, Observatório do Código Florestal, Pacto pela Restauração da Mata Atlântica e Rede de ONGs da Mata Atlântica, as entidades defendem que o governador defina critérios específicos para dispensa de recomposição, compensação ou regeneração de desmatamento em margens de rios, nascentes e topos de morros (Áreas de Proteção Permanente) e de Reservas Legais.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Nomad: a máquina de café expresso que não requer energia elétrica

As cafeteiras elétricas costumam fornecer boas xícaras de café, mas, ao mesmo tempo, consomem uma quantidade considerável de energia elétrica, ainda mais quando ficam ligadas o dia inteiro. Na contramão desse sistema está a Nomad, uma máquina que, à primeira vista, até parece de brinquedo, porém produz um ótimo cafezinho sem precisar de eletricidade.
Para funcionar, a cafeteira precisa apenas de café, água quente e pressão. O resultado é um café expresso cremoso, que pode ser feito a qualquer hora e em qualquer lugar.
O segredo da Nomad está na pressão do pistão. A técnica, baseada nas máquinas de café expresso elétricas, foi estudada e desenvolvida por Vincent J. Chen e Curt Morgan, com o objetivo de chegar a um produto que transmitisse o fiel sabor de um café tirado na hora com toda cremosidade que se preza.
Além de dispensar eletricidade, a Nomad é leve, portátil e de fácil manuseio. O cafezinho é preparado em três passos: primeiro, adiciona-se o pó de café moído; depois, a água quente e, em seguida, basta pressionar o pistão repetidas vezes.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Queimadas crescem 27,5% no país em 2015, mostra Inpe

As queimadas aumentaram 27,5% em todo o país, passando de 184 mil focos em 2014 para aproximadamente 235 mil no ano passado, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Segundo a série histórica, iniciada em 1999, o resultado perde apenas para o número de queimadas registradas em 2010 (249 mil focos).
Os incêndios florestais em 2015, detectados por meio de satélite, predominaram no período menos chuvoso, entre agosto e dezembro. Em agosto, ocorreram 39 mil queimadas; em setembro, foram 72 mil; em outubro, foram registrados 50 mil focos; em novembro, ocorreram 27 mil queimadas; e em dezembro, foram 18 mil focos.
Entre os meses menos críticos, estão janeiro (4 mil focos), junho (5 mil incêndios) e julho (8 mil queimadas). Os meses de fevereiro, março, abril e maio registraram cerca de 2 mil queimadas cada.
Estados
O estado com maior ocorrência de queimadas foi o Pará, que teve mais de 44 mil registros em 2015, um crescimento de cerca de 8 mil focos em relação a 2014. O segundo colocado foi Mato Grosso, com 32 mil incêndios florestais, alta de 4 mil focos na comparação com o ano anterior. Com informações da Agência Brasil.

domingo, 24 de janeiro de 2016

Estudo revela possibilidade de novo 'Tsunami de lama' em MG

Uma das medidas pedidas pela Justiça à mineradora Samarco foi a realização de um estudo que mostrasse a situação de outras barragens em Mariana (MG) que, danificadas pela de Fundão, poderiam também se romper e causar um 'Tsunami de lama' ainda mais prejudicial à fauna, flora e aos cidadãos da região.
O trabalho, desenvolvido pela consultoria Pimenta de Ávila e obtido pelo jornal Folha de S. Paulo, mostra que o rompimento destas barragens resultaria no vazamento de 105 bilhões de litros de rejeitos, que teriam capacidade de percorrer ao menos 109 quilômetros, chegando à hidrelétrica Risoleta Neves (Candonga). Para efeito de comparação, a barragem de Fundão despejou 40 bilhões.
O estudo revela também que a barragem de Santarém corre risco de transbordar ou se romper, fazendo com que em dez minutos a lama chegasse ao povoado de Bento Rodrigues, atingido pelos rejeitos de Fundão - em 11 horas, chegaria ao município de Barra Longa, a 77 quilômetros de distância.
Devido a essa possibilidade, revela a Folha de S. Paulo, a consultoria sugere que a Samarco cadastre as habitações em risco de forma a facilitar o processo de evacuação. Outra recomendação é que a mineradora elabore novo plano de emergência para as barragens que restaram. A implementação das medidas será cobrada pelo Ministério Público.

sábado, 23 de janeiro de 2016

Presidente e diretor da Samarco são afastados temporariamente

Após serem indiciados pela Polícia Federal por crime ambiental, o diretor-presidente da mineradora Samarco, Ricardo Vescovi, e o diretor de operações, Kleber Terra, pediram o afastamento provisório de suas funções na companhia. O Conselho de Administração da mineradora aceitou o pedido durante reunião ocorrida na quarta-feira (20).
Na semana passada (13), a Polícia Federal indiciou 7 executivos da mineradora pelo rompimento da barragem do Fundão, em Mariana, no dia 05 de novembro. De acordo com nota divulgada pela empresa, “os executivos acreditam que o licenciamento temporário é importante para que possam se dedicar às suas defesas”.
Os executivos foram indiciados com base no artigo 54 da lei de crimes ambientais, por terem causado poluição que resultou ou pode resultar em danos à saúde humana, ou que provoquem a mortandade de animais ou a destruição significativa da flora.
O rompimento da barragem do Fundão, no dia 5 de novembro, destruiu o distrito de Bento Rodrigues, na região central de Minas, onde viviam cerca de 600 pessoas, e deixou uma mancha de destruição no meio do caminho: 17 pessoas mortas e 2 ainda desaparecidas. Trinta seis municípios foram atingidos pela lama.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Acordo prevê 38 programas para revitalizar o Rio Doce, diz Adams



O advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, afirmou nesta quinta-feira (21) que está "confiante" no acordo que o governo trabalha para firmar com a Samarco, cujos donos são a Vale e a anglo-australiana BHP, para recuperar o Rio Doce, atingido por enxurrada de lama que vazou após o rompimento de barragem da mineradora em Mariana (MG). Segundo Adams, a expectativa do governo é que o acordo com as empresas seja fechado até o início de fevereiro, antes do Carnaval.

Ele se reuniu nesta quinta com representantes da Vale, Samarco e BHP, juntamente com os procuradores-gerais dos estados e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para discutir o acordo. Segundo o advogado-geral da União, foram definidos 38 programas – 19 socioambientais e 19 socioeconômicos – para revitalizar o rio.

"Já foram elencadas 38 programas que serão adensados, ampliados [19 sócio-ambientais e 19 sócio-econômicos]. Eles serão discutidos e avançados para que possam ser implementados", afirmou Adams.

"Essas ações serão pagas pela Samarco com a garantia das controladoras que vão ajudar a apoiar e garantir que esse fluxo venha a se estabelecer", explicou.

Durante a coletiva, Adams ressaltou que o processo de negociação ainda não está fechado, mas que um dos focos é o financiamento, pela Samarco, das ações de recuperação da bacia.

"Ainda há necessidade de adensar, dar mais detalhes, estabelecer metas para poder verificar o objetivo. Esse trabalho vai ser continuado", disse.

"O acordo avançou positivamente e estamos em fase de afinação, de detalhamento, o que vai permitir, na proxima semana, fazer não so o design [do acordo] mas trazer os parceiros essenciais que acredito que devem participar de forma mais ativa nessse processo. Estou confiante de que o acordo vai sair. O nível de debate, de entendimento que se estabeleceu mostra que os atores estão em posição de convergência", disse Adams.

O rompimento da barragem de Fundão, da Samarco, ocorreu em 5 de novembro de 2015 e causou uma enxurrada de lama no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, na região Central de Minas Gerais. A lama chegou ao mar pelo Rio Doce, depois de ter passado por municípios mineiros e do Espírito Santo.

Em novembro de 2015, semanas após o desastre ambiental provocado pelo rompimento da barragem, o governo anunciou que moveria ação civil pública contra a Samarco para que a Justiça determinasse a criação de um fundo de R$ 20 bilhões em medidas para revitalizar a bacia Rio Doce.

Ações socioambientais

Ao lado de Adams, a presidente do Ibama, Marilene Ramos, afirmou que esses programas envolvem ações de reparação dos danos causados pelo rompimento das barragens e a recuperação da bacia do Rio Doce. Ela disse também que essas medidas deverão propiciar ao rio e seus afluentes “melhores condições” para restabelecer o processo biológico.

“Será feito um programa de monitoramento intensivo de todo o plano de ação que busca a recuperação da bacia, de forma que a gente possa avaliar ao longo desses dez anos como estará evoluindo a recuperação da bacia, como estarão evoluindo os programas e se os projetos estarão sendo adequadamente implementados, se estarão dando os resultados”, disse.

Marilene disse também durante a entrevista ter avaliado que houve “receptividade grande” por parte das empresas sobre a proposta do governo dos 38 programas. Segundo ela, entretanto, o próximo passo é discutir as metas técnicas, quantitativas e os cronogramadas de cada um desses programas. “Não queremos um programa de boas intenções, mas, sim, objetivos estabelecidos de forma concreta”, disse.

Custos

Presente na coletiva, o presidente da Samarco, Roberto Carvalho, limitou-se a dizer que, em sua avaliação, a criação do fundo de recuperação da bacia do Rio Doce “avançou bastante”.

“Em a Samarco operando, ela tem condições de arcar com suas responsabilidades financeiras. Este é o ponto principal”, disse.

Pelas estimativas do governo, o fundo contaria com cerca de R$ 20 bilhões a serem investidos ao longo dos próximos dez anos para recuperar a bacia. Desde que anunciou essa previsão, a AGU tem dito que esse valor pode ser maior ou menor, dependendo das ações que forem adotadas até 2026.

“Em um ano vai ser R$ 1 bilhão e, em outro, R$ 3 bilhões. Vai depender do que for feito”, disse Adams nesta quinta.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Câmara arquiva projeto que limitava tamanho da zona de amortecimento

Um dos projetos de lei que modificava o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza foi arquivado no final do ano passado após ser rejeitado pela Comissão de Meio Ambiente. Trata-se do projeto de lei nº 1299/2015, do deputado Toninho Pinheiro (PP-MG), que pretendia reduzir as áreas de entorno das Unidades de Conservação do país, as chamadas zonas de amortecimentos.
A função das zonas de amortecimento é minimizar o impacto externo. Dentro dessas faixas, não é permitido a ocorrência de atividades danosas à unidade de conservação. Uma fábrica poluente, por exemplo, não poderia ser instalada dentro da faixa de proteção.
O projeto limitava o tamanho das zonas de amortecimento a uma faixa com o máximo de 2 km de extensão, contados a partir da fronteira da unidade de conservação. Atualmente, esta área é determinada caso a caso, conforme as características de cada unidade. O tamanho é definido pelo órgão gestor da UC: Instituto Chico Mendes, para unidades federais; secretarias de meio ambiente ou autarquias, no caso de unidades estaduais ou municipais.
A proposta também determinava que as zonas de amortecimento não poderiam situar-se dentro de zona urbana dos municípios, e torna obrigatória a ocorrência de consulta pública para a sua definição. As consultas também passariam a ser necessárias para a criação de corredores ecológicos. As zonas de amortecimento já existentes e consolidadas teriam um prazo de 6 meses para se adequar as novas regras, sob pena da sua anulação.
Voto separado
O arquivamento da matéria só foi possível porque a Comissão de Meio Ambiente votou pela rejeição do projeto de lei. Os parlamentares seguiram o voto separado do deputado Sarney Filho (PV-MA), que pediu pela rejeição.
Em sua justificativa, Sarney Filho afirmou que as modificações no projeto de lei não foram suficientes para melhorá-lo.
“Há casos em que dois mil metros são suficientes para garantir a integridade da UC. Em outros, há necessidade de uma área muito maior. É, assim, impossível a padronização de unidades tão diversas, em biomas e regiões distintos”, disse.
O relator do projeto na comissão, deputado Josué Bengtson (PTB-PA), chegou a apresentou parecer em favor do projeto, mas o colegiado preferiu seguir o voto do Sarney Filho.
Como o projeto foi rejeitado na única comissão que iria julgar o mérito da matéria, ela foi arquivada antes do recesso parlamentar.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Oceanos terão mais plásticos do que peixes em 2050

O uso maciço de plásticos é tamanho que os oceanos abrigarão mais detritos plásticos do que peixes em 2050 - informou nesta terça-feira o Fórum Econômico Mundial de Davos.
"O sistema atual de produção, utilização e descarte de plásticos tem efeitos negativos importantes: de 80 a 120 bilhões de dólares de embalagens plásticas são perdidos anualmente. E além do custo financeiro, sem nada em troca, os oceanos terão mais plástico do que peixes (em peso) até 2050", informa um comunicado.
O fórum de Davos, cujas reuniões de trabalho começam na quarta-feira, revela um estudo realizado com a fundação da navegadora Ellen MacArthur e a consultoria McKinsey.
Segundo o documento, a proporção de toneladas de plástico-toneladas de peixes era de uma para cinco em 2014, será de uma para três em 2025 e vai ultrapassar uma para uma em 2050.
O fórum estima necessária "uma refundação total das embalagens e dos plásticos em geral" e a busca por alternativas ao petróleo como material de base para sua produção - pois caso nada mude, o plástico representará 20% da produção petroleira em 2050.
Por causa dos sacos de plástico de uso único, "95% do valor das embalagens de plástico, estimado entre 80 e 120 bilhões por ano, se perde", lamenta o WEF, pedindo o estabelecimento de canais de reciclagem verdadeiros e reutilização.
"Os modelos de produção e consumo lineares são cada vez mais questionados (...) e isso é especialmente verdadeiro para os setores onde existem grandes volumes de baixo valor como as embalagens de plástico", apontou em declaração a navegadora Ellen MacArthur, também solicitando a criação de uma economia circular, reutilizando os materiais.
Vários países estão tentando limitar o uso de sacos plásticos. Na França, por exemplo, os sacos de plástico de uso único devem ser proibidos em março.
No Reino Unido, a legislação impõe que os consumidores paguem pelos sacos plásticos, a fim de tentar reduzir sua utilização.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Mineradoras têm 15 dias para comprovar apresentação de plano de emergência

O Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), que regulamenta o setor de mineração, determinou nesta segunda-feira (18) que as mineradoras de todo o país terão 15 dias para apresentar o comprovante de entrega do Plano de Ação de Emergência de Barragem de Mineração para as prefeituras e Defesa Civil de estados e municípios. Esse plano informa os procedimentos que serão seguidos pelos operadores de barragens e pelas autoridades públicas em caso de emergência.
Caso as mineradoras descumpram o prazo, o órgão poderá interditar as atividades nas barragens e impor sanções administrativas. As barragens só voltarão a funcionar mediante a comprovação da entrega do plano de ação de emergência.
Desde 2013, as mineradoras são obrigadas a entregar cópias físicas de seus planos de emergência. É o que define a portaria nº 526, do DNPM. Porém, poucas cumpriram com essa exigência. 
A própria Samarco, empresa responsável pelo rompimento da barragem que destruiu o rio Doce, descumpriu dois prazos em que a Justiça mineira exigia a apresentação dos planos de emergência das barragens localizadas em Mariana. A empresa entregou os documentos para a Justiça mineira terça-feira (12) da semana passada, após um dia de atraso.


Mar Mediterrâneo está próximo do esgotamento, adverte ONG

O Mediterrâneo está próximo do esgotamento, com "um desenvolvimento econômico inédito" que ameaça ecossistemas "já degradados" e espécies ameaçadas de extinção, advertiu nesta terça-feira (19) a organização ambientalista WWF-França.
Este mar semi-fechado, que abriga entre 4% e 18% das espécies marinhas conhecidas, distribuídas por uma área de menos de 1% dos oceanos do mundo, está enfrentando um aumento "sem precedentes" da exploração de petróleo e gás.
Os contratos de exploração de petróleo e gás offshore "se estendem a mais de 20% do Mar Mediterrâneo e poderão expandir para duas vezes esta superfície", estima WWF em um relatório.
"Isto é muito, especialmente quando sabemos dos riscos sísmicos da região", ressalta Pascal Canfin, CEO da WWF-França. Segundo ele, "a multiplicação e crescimento das atividades econômicas nesta área" colocam o Mediterrâneo "no caminho do esgotamento".
Os projetos de exploração de hidrocarbonetos e as atividades de perfuração estão fervilhando em todo o Mediterrâneo há vários anos.
Segundo a ONG, "a produção de petróleo no mar poderia aumentar em 60% entre 2010 e 2020 na região do Mediterrâneo, passando de 0,7 milhão de barris por dia para 1,12 milhão de barris por dia".
As reservas de petróleo do Mediterrâneo são responsáveis por 4,6% das reservas mundiais, aponta o relatório.
Quanto à produção de gás no mar, "poderia quintuplicar entre 2010 e 2030, de 55 milhões de toneladas por ano para 250 milhões".
Segundo a ONG, além de exploração de petróleo e gás, todos os setores tradicionais da economia marítima, como os transportes, turismo, a aquicultura "têm crescido exponencialmente e continuarão a crescer ao longo dos próximos 20 anos com exceção da pesca profissional".
500 milhões de turistas em 2030O transporte marítimo deverá dobrar até 2030. E as "chegadas de turistas internacionais no Mediterrâneo deverão aumentar em 60% entre 2015 e 2030 para atingir os 500 milhões em 2030".
Em todo o Mediterrâneo, mais "5.000 km de litoral serão artificializados" (construção de estradas, edifícios...) até 2025, em comparação com 2005, segundo a WWF.
A ONG, que analisou a economia marítima dos oito países mediterrânicos da União Europeia (Croácia, Chipre, França, Itália, Grécia, Malta, Eslovênia, Espanha), também antecipa uma "expansão" da mineração.
"Esta evolução cria uma concorrência crescente entre os setores por uma área limitada e recursos marinhos limitados", resultando em "novos impactos nos ecossistemas já sob pressão", prevê WWF.
Enquanto "90% das populações de peixes são excessivamente exploradas", WWF também espera "uma diminuição considerável" da pesca profissional no Mediterrâneo. O desenvolvimento de atividades como a mineração dos fundos marinhos e da extração de petróleo "irá contribuir claramente para agravar" a situação.
A ONG, que se opõe a "qualquer nova exploração de petróleo e gás offshore", exige o estabelecimento de áreas marinhas protegidas fora das águas territoriais, a regulamentação do tráfego marítimo e a introdução de dispositivos anti-colisão para cetáceos.
De acordo com WWF, a UE, que tem como meta um retorno ao "bom estado ecológico" das águas marinhas europeias até 2020, tem "um papel crucial".
Ela deve defender "uma visão tendo em conta a biodiversidade e os ecossistemas a nível nacional e a nível da bacia do Mediterrâneo", assegura Isabelle Autissier, presidente da WWF-França.
"Caso contrário, será impossível alcançar os objetivos ambientais da Comissão Europeia, que já estão comprometidos."